Blog de Aluísio Barros

24/04/2009

Cadê Zé Pereira!

1. Nas origens, lá na Itália, num tempo anterior a era cristã, o povo se referia aos festejos carnavalescos mais ou menos assim: Saturnálias - festas em homenagem a Saturno - e também a Baco e Momo. Logo, bacantes, período de Momo. Momesco.

         Roma era uma festa só. A hierarquia social era quebrada: escravos e filósofos e tribunos e astros se misturavam em praça pública num bacanal.

         - Bacanal?!

         - Sim, meu Anjo. Bacanal ou Bacantes era o nome dos festejos em homenagem a Baco, o inventor mitológico do vinho. Celebrada em Roma, à imitação das festas dionisíacas gregas, “rolava” tudo aquilo que o vinho fosse capaz de provocar. E vinho, você sabe como é, né?!

         - Uai, mas eu pensei que bacantes ou bacanal estabelecesse uma relação com festival de teatro...

         - Também! O carnaval tem esse quê de folguedo, festa e espetáculo teatral. É ópera, opereta. É tudo: representação ou inversão de papéis e costumes. Carnavalizar a brincadeira. Na medida do sonho. Se desejares, meu Rei!


Escrito por Aluisio Barros às 07h42
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2. Olha a quaresma, ai geente!

No início da era cristã, por determinação da Igreja Católica, esses festejos passaram a ser realizados não mais nos meses de novembro e dezembro, como antes. Eles deveriam, agora, por serem festejos profanos, acontecer antes da quaresma.

         - É o que é que tem quaresma com carnaval? O que é quaresma?

         - É o tempo de preparação para a festa da Páscoa, a maior festa do Cristianismo. Um tempo em que devemos viver na reflexão e oração, tomando consciência dos compromissos que assumimos pelo nosso Batismo. Tempo de jejum, penitência e conversão. A Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas, que sempre cai entre os dias 4 de fevereiro e 11 de março, e termina na quarta-feira da Semana Santa. Abrange seis domingos e, na última semana, voltamos toda a nossa atenção para a Paixão de Cristo, o Calvário, desde sua entrada solene em Jerusalém (Domingo de Ramos) até a sua morte e chegada na sepultura. São quarenta os dias da Quaresma. Redundante? Ora, ora... Ninguém sabe nem mais como era. Os de antes, sabem. Na quaresma, os prazeres da carne são deixados de lado. Logo, os italianos começaram a usar a palavra carnevale, sugerindo que tudo que se passasse pela cabeça poderia ser feito no carnaval. Assim, antes da quaresma era permitido o uso abusivo de carne. E também “das carnes”, neste outro sentido.

         - Ah, entendi. E o carnaval de Mossoró?

         - O Carnaval de Mossoró? Eu sei lá do carnaval de Mossoró.


Escrito por Aluisio Barros às 07h38
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3. Fevereiro, é?!

Tanto Tibau, pra nada! Feito urso, resisto e bato na mesma tecla já que não ressoou onde deveria ressoar: os setores de turismo e cultura da cidade que precisam repensar os nossos munícipes dias de janeiro, fevereiro e carnaval. Sem uma agenda cultural para os meses de férias escolares, a juventude debanda, a cidade fica estranha aos olhares que nos visitam. E ficamos, lá e cá, ao Deus dará.


Escrito por Aluisio Barros às 07h37
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4. Não precisam me pagar royalties

A receita é simples de dá gosto a qualquer gestor que se preze: basta direcionar alguns eventos já patrocinados pela Prefeitura, os tipificados com a chamada verba de fomento cultural, para apresentações também nos meses referidos, aproveitando a ociosidade dos espaços que em outros meses são concorridíssimos. Enfim, a cobra, o pau e o cacete!


Escrito por Aluisio Barros às 07h36
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5. Ai de mim sem um rouxinol

Encantada com as luzes & sons & brilho das mil bolhas do champanhe... a Mariposa não viu inclemente o tempo passar. E agora agoniza. Sob o silêncio das ruas que não escutam os seus ais. Ai quarta-feira, ingrata!


Escrito por Aluisio Barros às 07h35
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06/12/2008

Dezembros

1. Clarice. Em dezembro, aclaricio-me. Penso na travessia. Vejo o já vivido. Faço filmes. Meus filmes. Os filmes deles. Traço linhas. Sinto o corpo em ensaios de frenesi. E desejo brisas e cores e mares: marinhas, terrais, transatlânticos, gaivotas em vôos rasantes, maresias, sóis em frenéticos mergulhos terra adentro em explosões de cores. Cá dentro de mim, Meu Anjo, em estado de espera pelo que ainda virá na asa do tempo, sussurra suas vontades agora indizíveis pelo risível que ainda provoca no silêncio que não se rompe porque silêncio. E ela, do Caju, ressurge e diz que a lembrança é salutar, mas não resolve, embora aclaricie suas noites povoadas e iluminadas pelas infinitas vozes, num crescendo, tantos são os corações em récitas (versos, cada verso, uma chama acesa), para agrado de Deus.


2. Lispector. Foi em uma aldeia sem mapa, chamada Tchetchelnick, encravada na Ucrânia, antiga URSS, em 10 de dezembro de 1920, que Clarice Lispector nasceu. A aldeia era rota de fuga, pois os seus pais, judeus, sofriam perseguições. O seu nome primeiro era Haia. E Maceió, antes do Recife e do Rio de Janeiro, fora o primeiro Brasil que seus olhos viram. A autora de Perto do coração selvagem, A hora da estrela, Laços de família, O lustre, A paixão segundo G. H., Água viva, dentre outros, na linha dos mais expressivos da literatura brasileira, também morreu num dezembro, em 1977, véspera de seu aniversário, às 10h30, num hospital da Lagoa, Rio, conforme a Rádio Relógio anunciou para uma confusa Macabéa. Agora, descansa no Caju!


3. La Movida Barcelona. As torres, esculturas e outras criações belissimamente e indescritíveis do catalão Antonio Gaudí (dizem que todas as palavras não servem para traduzir o que os olhos vêem) servem de cenário para Vicky Cristina Barcelona, o novo filme de Woody Allen. Para apimentar, o visual luxuoso do Mediterrâneo e as presenças de Penélope Cruz, Javier Bardem e Scarlett Johansson, no elenco. Olhos de além-mar garantem que Barcelona está esplendorosa, pois sensual. Oxente!


4. Veraneio em Tibau? Todo ano o problema se repete: carros invadem a orla marítima. E entra prefeito e sai prefeito e ninguém tem a santa idéia de construir, em cada beco da beira mar de Tibau, uma sacada ou balaustrada barrando definitivamente a descida dos carros. Arre!


5. Quer leia, leia! Não se contente só com o filme O Homem Que Desafiou o Diabo, do potiguar Moacyr de Góis: o livro As Pelejas de Ojuara, do conterrâneo Nei Leandro de Castro, garantem tardes de frouxos risos. Gargalhadas, pois, pois. De sobra, ponha na bolsa o impagável O Dia das Moscas. Romance de maus costumes, na linha da malandragem, por onde circula a parentalha de Macunaíma. Duvido-de-o-dó que o seu veraneio passe em brancas nuvens. Arroje o alicate!


Escrito por Aluisio Barros às 12h25
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6. Uma vez Moreno. Caetano Veloso também é Avô. E Roberto Carlos ganha novo coração de mulher. A vida é um eterno revival, já avisava o sempre lírico-amoroso Vinícius de Moraes.

7. Obama. Em janeiro, o democrata Barack Obama vai morar na Casa Branca. Em Washington - DC (White House. Que é Rosada, em Buenos Aires). É um cidadão norte-americano. Sine qua non.


8. Um poema. Ao tempo.

Não, não, não. Não dobre a esquina

sem olhar pra trás.

Não deixe que este beijo

que te jogo agora

se perca no ar.

9. Outro poema. Ao vento.

Existem vozes

que falam para plenários vazios

enquanto campeia sedenta

por entre pastos estéreis

a morte vestida de sem terra.

 

10. Dezembro!

Cadê as pastorinhas

de minha terra, sinhô?

Por que não brincam jamais, sinhá?

Em qual cama esquecida

dorme a menina Diana?

Qual a cor do teu cordão, Iaiá?!

- O meu coração não diz nada!

Fui.

 


Escrito por Aluisio Barros às 12h19
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Acabou-se a história e morreu a vitória, os males do Brasil são!

1. O nosso candidato ao Oscar é... Pois é, a corrida ao Oscar 2009 já começou. O Ministério da Cultura fez a indicação do filme Última Parada: 174, do cineasta Bruno Barreto, para representar o nosso país na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. O roteiro é de Bruno Mantovani.

2. O nosso dia de cão... O filme é baseado na história real de Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da chacina da Candelária, ocorrida em 1993 no Rio de Janeiro, e que sete anos mais tarde seqüestra um ônibus. A tragédia também foi contada no documentário Ônibus 174, do cineasta José Padilha. Em 46 anos de premiação, o Brasil já obteve 5 indicações e nenhum vencedor. Vale saber que mais de 90 países desejam integrar a lista dos cinco indicados.

3. 80 ANOS. O deus Macunaíma - saído do livro de lendas amazônicas do alemão Theodor Koch-Grümberg e figura fácil nas narrativas orais de tribos brasileiras, venezuelanas e das Guianas - foi reinventado pelo modernista Mário de Andrade, virando título e personagem de uma das obras mais expressivas de nossa brasilidade - Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter. Obra-marco da modernidade brasileira, onde o erudito e o popular se encontram, lançada em 1928, está completando, pois 80 anos. Macunaíma ai, ai, como dói.

4. Dionísias. A décima edição do Auto da Liberdade, nos dias 27, 28 e 29 de setembro, foi encenada por João Marcelino. Cerca de 300 atores e figurantes foram utilizados para mostrar os feitos heróicos do povo mossoroense. O tal cortejo cultural é uma salada à parte.

5. Humanidades. No período de 20 a 24 de outubro vai acontecer a XIV Semana de Ciências, Tecnologia e Cultura da UFRN/CIENTEC e a Semana de Humanidades. No Campus e Anfiteatro da UFRN/Natal. A UFRN está em comemorações pelo seu cinquentenário.

 


Escrito por Aluisio Barros às 12h14
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6. Jabuti. O Prêmio Jabuti, uma das mais tradicionais premiações literárias do país, anunciou na terça-feira (23.09), os vencedores de 2008. São 20 categorias. Os melhores nas categorias de romance, poesia e livro infantil foram, respectivamente, Cristovão Tezza, Ivan Junqueira e Bartolomeu Campos de Queirós.
7. O filho eterno. É o nome do romance de Cristovão Tezza. Ele é catarinense, radicado em Curitiba, Paraná, onde leciona língua portuguesa na Universidade Federal do Paraná. Ele já havia ganho outros prêmios antes, dentre eles, o Machado de Assis de 1998, da Biblioteca Nacional, para o romance Breve espaço entre cor e sombra. Em 2005, o seu romance O fotógrafo foi escolhido como a melhor obra pelo Prêmio Bravo! e também pela Academia Brasileira de Letras. O romance O filho eterno já havia recebido esse ano o prêmio de melhor obra de ficção do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Cristovão Tezza já está sendo publicado na Itália e já tem edições contratadas na França, Espanha e Portugal.
8. Calma, Claudete! Você ficou aflitíssima, pois não conhece Cristovão Tezza, nem Ivan Junqueira e nem Bartolomeu Campos de Queirós? Nada, não. Também não conheço todos os de quem vos falo, mas doravante vou procurá-los com avidez, em minhas andanças pelas livrarias. Mas aviso antes: Bartolomeu Campos de Queiroz é obrigatório nas listas para filhotes de nove entre dez luluzinhas. É o que há. Desde sempre!
9. De lascar! O tempo vai passando e uma geração mossoroense inteira corre o risco de se formar (?) sem conhecer os encantos da grande tela. A Candidata a Capital Cultural do País parece não gostar de cinema. Ai! que preguiça!... Macunaima.

10. Um Poema de Ivan Junqueira

E seu eu disser que te amo - assim, de cara,

sem mais delonga ou tímidos rodeios,

sem nem saber se a confissão te enfara

ou se te apraz o emprego de tais meios?

E se eu disser que sonho com teus seios,

teu ventre, tuas coxas, tua clara

maneira de sorrir, os lábios cheios

da luz que escorre de uma estrela rara?

E se eu disser que à noite não consigo

sequer adormecer porque me agarro

à imagem que de ti em vão persigo?

Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro

em tua ausência - essa lâmina exata

que me penetra e fere e sangra e mata.


Escrito por Aluisio Barros às 12h08
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26/09/2008

Enquanto Seu Lobo Não Vem!

1. Devir. O novo álbum de Caetano Veloso que será lançado, provavelmente, em dezembro já possui nome: Transambas, mas as músicas que dele farão parte ainda estão em processo de escolha. Desde maio que Cae, utilizando-se de uma pequena banda – bateria, baixo e guitarra –, vem realizando shows para “experimentar” as músicas que deseja incluir em seu novo trabalho. E cada ensaio, no Rio, era um show novo para se apreciar. Em construção. Experimental no modo Caetano de ser já-desde “Cê”. Pós-moderno, aêó. Em processo. O artista se demonstra enquanto prepara o seu “devir”.

2. Girando Girândolas. Agora Cae, que completará 66 anos em agosto, 07, encontra-se em tournée pela Europa (turcos, tugas, hispanos, francos, ítalos...), mas em setembro, de volta ao país, transfere os ensaios do novo show + cd + dvd  para os palcos de Sampa. Para os acertos finais. Adoro quando Caetano experimenta.

3. O Rouxinol da França. Em Paris é impossível não lembrar Edite Piaf, um de seus ícones. Em casa, numa tarde morna e com um solzinho já quase nada, ponho uma caixa de lenços (pipocas não são aconselháveis!) pertinho e deixo rolar: Piaf – Um hino ao amor, o filme de Olivier Dahan (roteiro dele e de Isabelle Sobelman). A vida de Piaf em seus instantes-já: do bas-fond para a glória. A canção La vie en rose, composta em 1946, depois da Segunda Guerra Mundial, é um chamado ao amor para os que sobreviveram. Piaf é espetacularmente representada pela atriz francesa Marion Cotillard (Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz) e Gerard Depardieu impagável na pele de Louis Leplèe. Para quem gosta de saber os pequenos detalhes: 5 horas é o tempo que se levou para preparar a maquiagem de Marion como Piaf (o filme faturou o Oscar de Melhor Maquiagem). A intensidade da vida de Edite Piaf. Uma dramática.

4. No maiô. O mico que todos pagaram: Chuva de bala no país de Mossoró encenado, este ano, pelo paraibano Elézer Rolim, no adro da Capela de São Vicente, por ocasião dos festejos da resistência mossoroense ao bando de Lampião. Salvava-se a música de Gideão Lima e Fábio Monteiro (ambos do Curso de Música, da UERN).

5. Mossoró na Paulista. A Cia. Máscara de Teatro leia-se Tony Silva, Jeyzon Leonardo, Damásio Costa e Luciana Duarte, sob a direção de Marcelo Flexa, realizou uma temporada mais do que importante para os que conhecem e torcem pela cena teatral local: de 13/06 a 20/07, da sexta ao domingo, no SESC da Avenida Paulista, com a peça Deus Danado, do potiguar João Denys.


Escrito por Aluisio Barros às 23h08
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6. Mamma África. Nas melhores livrarias o novo livro do escritor moçambicano Mia Couto: Venenos de Deus, Remédios do Diabo. Prova de prestigio do autor: lançado simultaneamente no Brasil, Portugal e Moçambique. Aqui, pela Cia. das Letras. E se quiseres o encanto das histórias de outros lugares leia também Feras de lugar nenhum, do niger Uzodinma Iweala.

7. Alfazema – O Brasil tem seu divino, sim! Ele se chama – Ney de Sousa Pereira – o Matogrosso. Desde o ano passado que Ney protagoniza o espetáculo musical mais comentado pelos de apurado gosto: Inclassificáveis, com o qual percorrerá, até 2009, as melhores casas de espetáculo do país. O nosso Teatro Municipal bem que poderia acolhê-lo.

8. Mais. Os 17 primeiros discos do cantor saem agora, em agosto, em CD, inclusive "Água do céu – Pássaro", conhecido como Homem de Neanderthal, "Bandido", "Pecado" e "Mato Grosso". Achou pouco: pois ele também se fará presente no cinema: “Depois de Tudo”, com roteiro e direção de Rafael Saar, é um curta, de 12 minutos, já em fase de produção. Ney, em 1º de agosto, alcançará os 68 anos. Eu o vi, meninos, no show Feitiço. Inclassificável!

9. Underwwod. Agosto, um mês inteirinho para lembrar Luís da Câmara Cascudo e seus 150 livros sobre história, sociologia, literatura, geografia, poesias, ensaios, biografias e romances, entre os quais alguns clássicos como Alma patrícia, Joio, História da alimentação no Brasil, Vaqueiros e cantadores, Viajando o sertão, Actas diurnas, Civilização e cultura, Rede de dormir, Folclore do Brasil, A tradição popular no Brasil, Trinta estórias brasileiras, Superstições e costumes, Jangada, jangadeiros, Canto de muro, Flor de romances trágicos, Meleagro, Literatura oral no Brasil, além de um Dicionário do folclore brasileiro, lançado em 1954 e com várias reedições.

10. Edite Piaf por si. Non. Je me regrette rien/ Je me fous du passe. Calma! Não me lamento de nada. Eu me lixo para o passado.


Escrito por Aluisio Barros às 23h08
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Olha pro Céu Meu Amor!

I. Eiffel Sideral. Aqui nos trópicos, em noites esplêndidas, de céu colorido, nossa gente serpenteia numa felicidade tonta. Haja forrobodó que a Cidade Junina taí com os seus portões abertos, gente minha! Vivaaaa!

II. Chuva de Bala. Eliézer Rolim, paraibano já experimentado em teatro e cinema, é quem assina a direção do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, encenado no período de 12 a 28 de junho, no Adro da Capela de São Vicente, região central, sempre a partir das 21 horas. E ousa: são 70 novos atores, além de crianças ligadas a programas sociais desenvolvidos pela Prefeitura de Mossoró, em trilha sonora assinada por Gideão Lima e Fábio Monteiro para o texto de Tarcísio Gurgel.

III. Tô que Tô: A relação do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró com a história da resistência da cidade ao Bando de Lampião poderá ser conferida a poucos metros do local da encenação: o Memorial da Resistência, monumento em exaltação aos heróis da resistência à tentativa de invasão do bando de Lampião à Cidade, em junho de 1927, já se encontra em pleno funcionamento, na Avenida Rio Branco. E enche os olhos do povo.

IV. Flip: A Festa Literária Internacional de Parati, na cidade histórica de Paraty, litoral fluminense, reunirá no período de 2 a 6 de julho, os mais expressivos nomes da literatura brasileira e convidados internacionais. O homenageado deste ano será o escritor Machado de Assis (1839-1908), cujo Centenário está sendo comemorado em todo o país. Na abertura, em conferência sobre o autor de Dom Casmurro, a inteligência de Roberto Shwarz, um dos nossos mais importantes críticos em atividade. Dom Carmurro é, na visão de Shwarz, “o romance possivelmente mais refinado e composto da literatura brasileira”. De quebra, a musicalidade de Luís Melodia, no show de abertura. Chique, de doer!

V. Póstumas. A Queima Bucha, do competente editor e escritor Gustavo Luz, relançando as Estórias Gerais, do saudoso jornalista e escritor Jaime Hipólito Dantas.


Escrito por Aluisio Barros às 23h07
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VI. Ave, Jaime! Os contos são, em sua maioria, do originalíssimo O Aprendiz de Camelô, lançado pelo autor nos anos 60 e que recebeu prefácio do prestigiado crítico alagoano Valdemar Cavalcanti. Jaime figurou em antologias nacionais, dentre elas Os Melhores Contos Brasileiros de 1974, da Editora Globo.

VII. Pois, sim. O relançamento faz parte das comemorações pelos 80 anos do escritor. Um dos maiores de Mossoró, pois sim, e também de Caicó, do RN.

VIII. Doce lembrança. A Prefeitura e a Câmara Municipal de Mossoró bem que poderiam aproveitar a ocasião para fazer valer os insistentes apelos do seu amigo e irmão espiritual, o também maior, jornalista e escritor Dorian Jorge Freire renomeando o pedacinho na zona central da Rua Machado de Assis cortada pela Av. Dix-Neuf Rosado. De Rua Jaime Hipólito Dantas.

 

IX. Astronautas: Eles brincam na Lua / e enchem o meu quarto / de insônia. Poemeu.

X. Gonzaga: Ontem eu sonhei que estava em Moscou / dançando pagode russo na boate cossacou. / Parecia mais um frevo naquele “cai e não cai”. / Parecia mais um frevo naquele “vai e não vai”. Pois é, somente para ficar escrito: Dominguinhos, o grande homenageado do Prêmio Tim 2008. Mereceu, sim!

XI. Rosa: O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O senhor tolere, isto é o sertão. Guimarães. Vira o Santo! Vivaaaa!


Escrito por Aluisio Barros às 23h07
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Quando os pingos brilham na janela!

I. Não me faço em segredos. Desmancho meus medos, palavras soltas ao vento. Renego o silêncio com que desejas me roer a alma. Ferir-me o peito! No entanto, se quiseres, carregas o meu corpo mar adentro e serve-o em banquete aos peixes. Sei que eles ficarão insones, porque o meu corpo tem o vício da insônia e a minha alma é morada da bílis negra. Não me faço em segredos. Meus medos sabem do caminho que leva ao palácio do vento.

II. Já morei dentro de mim. Quantas luas? Não sei. Mas o caminho é longo quando se contam os dias.

III. Poema solto na capa do livro: “Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda. / Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. // Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, / fiquei sem poder chorar, quando caí”. Epigrama Nº 8, de Cecília Meireles.

IV. Outro: “O meu Amor não tem / importância nenhuma. / Não tem o peso nem / de uma rosa de espuma! // Desfolha-se por quem? / Para quem se perfuma? / O meu amor não tem / importância nenhuma”. Inscrição na Areia, também de Cecília.

V. Último. “(...) Eu não devia te dizer / mas essa lua / mas esse conhaque / botam a gente comovido como o diabo”. Estrofe final do Poema de sete faces. Carlos Drummond.


Escrito por Aluisio Barros às 23h05
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VI. A eternidade efêmera da paixão: o sol haverá de morrer / todos os infinitos dias / que hão de... / e junto com a eternidade / do sol / haverei de guardar a chama / da paixão que me devora / e ela adormecerá / junto com outras chamas. // vez por outra as chamas / haverão de queimar-me: uma / após / uma / de / cada / vez. // o papel da paixão é renascer / cada vez que os olhos / brincarem com outros olhos.

VII. Ora, direis. Ver estrelas / e – de quando em vez – buscá-las / entre riscos e rabiscos / num canto guardado do dia / ou no verso com sabor matinal / é correr o risco / apostar na vida / e ter coragem de com estrelas sonhar: / - dentro de ti mora um sonho / capaz de meu destino mudar. // não cansei de ver estrelas: / a escuridão da noite não permite / outros desejos a não ser o de tê-las.

VIII. Doce lembrança: teu sorriso na foto / trai momentos nossos / entre quatro paredes / de um motel qualquer.

IX. Vigília. Quem me invade a rua / onde repousa essa vontade morta / de não mais sorrir nem cantar? // quem me bate à porta / e ameaça invadir este silêncio / que me aperta o coração? // quem me invade / agora que não estou mais em mim.

X. Recaída: A solidão de teus olhos / boiando nos meus. / essa lua esse conhaque // - Pó! Por que a lembrança / de teus lábios não deixa / de esquentar os meus?

XI. Alice Ruiz: para tirar leite das pedras / lágrima das feras / e te deixar besta / o poema baste.

XII. Leminski: abrindo um antigo caderno / foi que descobri / antigamente eu era eterno.


Escrito por Aluisio Barros às 23h04
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